Lucia Iná, 78 anos, de Porto Alegre, tem uma história de força, superação e, principalmente, de amor ao próximo. Diagnosticada com mieloma múltiplo em novembro de 2012, ela iniciou o tratamento no começo de 2013 e, depois do transplante, aos poucos, foi retomando suas atividades profissionais. Mas foi no voluntariado que encontrou um novo sentido e uma alegria diária.
Em 2016, uma amiga convidou Lucia para participar de um grupo de voluntárias que fazia enxovais para bebês para doação. Sem saber exatamente o que esperar, ela decidiu ir ao encontro e logo descobriu um espaço acolhedor, cheio de troca, conversas, risadas e muita mão na massa — ou melhor, muita agulha no fio.
Lá, o grupo tricota, faz crochê, costura e cria peças cheias de carinho para quem precisa. O mais lindo? Não é preciso saber nenhuma dessas habilidades para participar, porque todas aprendem juntas. Lucia, que já sabia tricotar, crochetar e costurar, sentiu que havia encontrado seu lugar.
Mas a vontade de fazer o bem só cresceu. Logo, Lucia foi convidada para integrar outro grupo, que também confecciona enxovais e peças quentinhas — gorros, cachecóis, meias — desta vez para bebês e idosos. Para ela, esse trabalho vai além do ato de doar: é uma verdadeira terapia, uma forma de se sentir viva e feliz.
Apesar de nunca saber exatamente quem vai receber o que ela faz, isso não diminui o valor do gesto. Cada peça é feita com muito amor e atenção, como se fosse para um filho, um neto ou um amigo querido. A entrega é anônima, mas a energia que acompanha cada ponto é imensa.
Para Lucia, o voluntariado é um “grande bem” — para quem recebe e para quem dá. Um bem feito sem alarde, com o coração aberto e cheio de carinho. Um bem que transforma vidas, aquece almas e espalha esperança.

